[domingo, julho 03, 2005]


De quando em vez faço umas visitinhas ao Canal Memória da R.T.P.. Se vocês também por lá passam, devem já ter reparado no António Barreto a apelar aos tele-espectadores para que enviem documentação ( fotográfica e escrita ) para a produção de um novo programa que pretende ir para o ar brevemente e que se irá chamar: COMO ERAMOS NÓS HÁ CINQUENTA ANOS.
Confesso que acho a ideia muito boa (tenho é dúvidas como depois vão tratar o assunto). Efectivamente, como diz o senhor Barreto, ERAMOS TÃO DIFERENTES!
Pela parte que me toca, quero colaborar, e para isso passarei a escrever aqui no LIMITE algumas memórias ( pôrra! estou a ficar cota que até chateia ) da minha infância e juventude.
Vai-me dar prazer fazer uns "flashbacks" e recordar como era a vida há meio século atrás. Considero-me até um previligiado, já que vivi e convivi com distintas "classes" sociais durante essa mesma infância e juventude, conhecendo muito de perto a realidade da forma como viviam.
A nossa rapaziada mais jovem, aposto, não faz ideia nenhuma de como eram esses tempos, por diversos motivos entre os quais a "vergonha" de muitos dos pais em recordar, porque hoje, ser-se assumidamente pobre , é coisa para se esconder, já que a sociedade se tornou uma sociedade em que as aparências contam mais que a realidade, ou seja: Da pobreza material passou-se à pobreza de espírito, o que eu penso ser muito mais grave... mas adiante...
Vamos lá então, senhor Zecatelhado, ao trabalhinho.


por Zecatelhado * 17:58


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Comments:
Curiosamente no princípio da semana que acabou tive ao almoço uma conversa com as pessoas que me acompanham sobre como era o ambiente das praias na linha de Cascais e embora houvesse quem tivesse a minha idade não se recordavam porque tiveram alguma dificuldade talvez em referir que nessa altura viviam na província. Mas dizia eu, contei aos jovens trintões que comigo estavam à mesa de que uma vez tendo resolvido vestir um calção de banho que havia adquirido nas Ilhas Canárias, estando eu deitado na toalha na praia de Carcavelos, dormitando de
barriga para cima, sou tocado pela bota dum imbecil dum cabo de mar que
me aconselha a puxar o calção tapando o umbigo pois caso contrário tinha de o acompanhar ao posto para
ser multado e mudar de calção. Estás a imaginar Zeca um jovem de 15 anos
vindo de África em férias a ser molestado por uma autoridade do salazarismo. Levantei-me peguei nas minhas coisas e regressei a casa porque a partir desse dia passei a frequentar a praia do Tamariz porque
nessa estas exibições de autoridade
não ocorriam porque era privada inserida no complexo do Casino do Estoril, basta referir que já nessa altura me lembra uma ou outra turista experimentava fazer topless
sem que ninguém a incomodasse. O porquê de toda esta conversa para
afirmar que é importante rever o que foi a nossa vida no antigamente para que as novas gerações consigam melhor perceber quão diferente era.
Aquele abraço do Raul
 
Pois, Raúl.
Mas independentemente dessas situações caricatas da ditadura, falar sobre os usos, costumes, carências e outros. É mais por aí que eu vou entrar.

Um abração do
Zecatelhado
 
Força aí:) beijos
 
http://estradairreal.blogspot.com

pobreza ainda bem recordada por lá.
 
Oh amigo Zeca,
ter memórias (e dar-lhes valor) é bom! Pobres são os que as não têm (ou não sabem dar-lhes valor) que é como quem diz: aprender com elas. Por isso... está autorizado a ser "cota" à vontade...
 
Amigo Zeca! Cá aguardo com satisfação por essas recordações! Tenho certeza que serão tão interessantes como tudo o que escreves :) E não se trata de ser cota! Afinal todos acabamos por ter recordações! E será sempre bom aprender um pouco mais... Obrigada antecipadamente por isso :) Boa semana, amigo! E mesmo com menos tempo, as tuas visitas são sempre mais que bem vindas :))) Beijinhos grandes. Malae*************
 
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