[domingo, julho 31, 2005]

* O Corvo e A Raposa

( Juro que não estou a fazer concorrência ao Expresso )

Era uma vez...
...Um corvo que acabara de bifar um queijo-tal e qual como um seu antepassado que ficou célebre numa história de La Fontein, devido à sua aselhice -. Com o acepipe bem preso no bico, voou para o cimo de uma árvore bem alta e preparou-se para o devorar.
Ora acontece que a comadre raposa andava farejando por ali, morta de fome. O dono da Quinta de região, há muito deixara de criar galinhas. Nestes tempos modernos, os aviários produziam-nas em menos de um fósforo, sendo por isso muito mais económico comprar os galináceos no super ou hipermercado. Acresce ainda que, sendo o quinteiro já velhote, poupava-se a essa trabalheira. Para se entreter, ia cuidando da horta e de umas árvores de fruto. Ora, como os frutos e os legumes não faziam parte da dieta da comadre raposa, lá tinha a desgraçada que matar a fominha caçando uns ratos do campo, coisa que andava a fazer no momento.
Ao ver o parvo do corvo com o queijo no bico aterrando em cima da árvore, ficou com a boca a escorrer saliva de desejo. Como bifar o queijo ao corvo? Trepar à árvore estava fora de causa; a mãe natureza e o Criador não lhe haviam dado a faculdade de trepar tronco acima, vai daí, ter que jogar a mão a outro tipo de "arma" que fosse suficiente para suplantar a fraca inteligência da ave de agoiro. Porque tinha uma excelente memória, lembrou-se rapidamente da história acontecida há uns tempos atrás entre uma sua antepassada e um parente finado do compadre corvo.
- Olá compadre corvo, bons olhos o vejam! Então como vai a sua vidinha?
Tal como na história passada, pensou a raposa que o estúpido animal emplumado abrisse a boca para responder e deixasse cair o queijo, só que desta vez...NADA! O corvo não se "descoseu".
- Que penas tão brilhantes que o compadre tem hoje! Sabe que ainda não vi nesta floresta penas tão belas e brilhantes como as suas?
Esperava que a sua matreirice e a natural vaidade do labrego do compadre combinassem na perfeição... só que...NADA! Aquele passaroco bronco não abria o bico!
Entretanto, junto ao "cenário" onde o drama se desenrolava, já se havia juntado uma plateia enorme, roída de curiosidade pela cena e pelo desfecho final da mesma.
- Ó compadre, não me quer vender esse queijo? (já em desespero total)
Mas o corvo continuava mudo como a estátua do Marquês de Pombal; E pior que isso, já haviam alguns animais que troçavam da raposa, rindo à vara larga. Era o caso do mocho sapiente, da cobra astuta e, imaginem!? de Sua Real Majestade D. Leão!
Se havia coisa que a comadre raposa detestava era a de passar por parva. A sua vaidade era genética e não lhe permitia suportar o "achincalhamento" público, por isso começou a sentir-se muito mal naquela situação.
Vendo a atrapalhação da súbdita, que podia transformar-se em algo muito mais complicado já que a raiva começava a desenhar-se na ponta do seu focinho, o Rei Leão decidiu intervir e colocar um ponto final na história. Avançou então direito à raposa, colocou-lhe a para direita sobre os ombros da bichinha e conduziu-a devagar para fora de cena dizendo-lhe:
- Minha querida amiga e súbdita; Não fiques nesse estado. Tu não estás a perder faculdades nem o parolo do corvo a criar virtudes. A Natureza continua imutável, portanto nada de peocupações desnecessárias. O que aconteceu foi algo que muito dificilmente se repetirá, ou seja: houve dois factores que convergiram por acaso!...
- Ai sim? ( perguntou a raposa já mais animadita ) e quais foram eles?
- Então, amiga... primeiro factor: A história nunca se repete. segundo factor: Por azar teu, porque o ignoravas, fica sabendo que este corvo é surdo mudo!



por Zecatelhado * 13:36


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[sábado, julho 30, 2005]

* Lá Vem a Nau Catrineta (50)


Lá Vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
com tricórnio de côr preta
D. José a comandar
D. Costa trata de ver
se corre tudo a preceito
D. Diogo vai escolher
os aliados de peito
D. Cunha juntou-se ao Pinho
dois em um, está bom de ver
p'ra contar o dinheirinho
que o baú vai receber
D. Luís limpa os canhões
D. Correia é enfermeiro
a Lurdinhas dá lições
a tudo que é marinheiro
D. Jaime é o despenseiro
D. Gago lê as estrelas
D Lino faz de pedreiro
D. Correia limpa as velas
D. Vieira é o tenente
mais querido da marinhagem
é ele que paga à gente
em cada mês de viagem
D. Pedro de pé à ré
transmite pr'à populaça
aquilo que D. José
ordena pois que se faça
D. Augusto é o papagaio
escolhido p'lo Capitão
D. Alberto é o lacaio
encarregue da prisão
A Dª Isabel de Lima
tem tarefa desgastante
escada abaixo, escada acima
que a cultura é importante
P'ra compôr o ramalhete
das flores do Capitão
só faltava o mandarete
quem é ele?...D. Lacão
É esta a tropa fandanga
que promete à Catrineta
que o discurso da tanga
já foi posto na gaveta
Com estes novos doutores
vai ser um sempre a aviar
ouvi agora senhores
uma história de pasmar



Estando a Nau dos desditosos
quase vendida a Caronte
D. José Subiu à ponte
quando o dia despontava
com a destra segurava
uma cerveja fresquinha
com a esquerda uma "mão cheiínha"
de tremoços mal-cheirosos

"Pôrra, estamos na sarjeta
nem há pilim p'ró tremoço
estou à toa neste poço
ao qual não avisto o fim
sei o que vai ser de mim
se a descida continua
o povo põe-me na rua
e "good bye" Catrineta!

Vigia deste barquinho
que novas tens p'ra me dar?
precisamos animar
a gente que aqui navega
a sorte tem sido cega
mas talvez seu fim se augure
"não há mal que sempre dure"
já lá diz o Zé Povinho!"

"Está a causar grande impacto
uma coisa de pasmar
gente da Rosa a clamar
o regresso do lendário
e cavernoso D. Mário
ao nobre trono real
só que o consenso total
está longe de ser um facto

É que igualmente à partida
se perfilou D. Manuel
o tal "poeta chanell"
figura bem conhecida
anda a Rosa dividida
entre estes dois candidatos
vai virar "saco de gatos"
aposto eu a minha vida

Também a Casa Laranja
sem esperar p'la demora
fez apresentar na hora
o seu candidato a Rei
e por aquilo que sei
anda tudo convencido
que será ele o escolhido
que a vitória vai ser canja!

Na Casa Vermelha vejo
fazerem contas à vida
são como "rata sabida"
muito velha e tarimbada
para já fica parada
à espera da procissão
depois vê se põe ou não
um santinho no cortejo!"

"Então e os azulados?
e os da casa de Leon?"
"Os azuis seguem o "Dom"
que a Laranja quer ver Rei
quanto aos de Leon já sei
porque não nasci otário
vão apoiar o D. Mário
fingindo-se contrariados

Está visto assim que afinal
com mais ou menos intruso
tal como a água do Luso
tudo está mui clarinho
teremos D. Cavaquinho
e D. Mário a disputar
quem o cú irá sentar
no trono de Portugal!"

"Quero a tua promoção
de vigia a Conselheiro
o teu palpite é certeiro
e vais directo ao assunto!..."
"Promovei-me antes a adjunto
já que vos caí em graça
isso sim, é ganhar massa
tanto ou mais que o Capitão!"

Assim farei, mas primeiro
tens ainda que opinar:
o que é que se vai passar
no decorrer da campanha?
que tipo de frase ou senha
as gentes do Cavaquinho
e as do nosso avô Márinho
vão usar na propaganda?"

"É fácil de adivinhar
(já cá canta o meu tachinho)
quanto aos de D. Cavaquinho
vão usar este chavão:
TUDO A BEM DA NAÇÃO
SIEG HEIL! D. CAVACO
P'RA NOS TIRAR DO BURACO
ONDE ESTAMOS A HIBERNAR!

D. Mário talvez se lixe
porque a Casa de Leon
(duvido é que seja bom)
quer deixar a sua marca
se a Casa da Rosa embarca
no célebre "SOARES É FIXE"
vai ter que acrescentar
BEBE VINHO E FUMA HAXIXE!!!



por Zecatelhado * 01:09


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* Defendamos a Rádio e Música Portuguesas!

Recebi dos amigos da Rádio um pedido de publicação de uns textos que era bom que fossem lidos por toda a gente. Façam o favor de lá ir.

*Este Blog

* Mais este.

* E esta carta assinada por mutos artistas da nossa praça, da autoria de Pedro Barroso.


por Zecatelhado * 00:41


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[quinta-feira, julho 28, 2005]

O SOLAR DA ROSA

Nesta tasquinha bizarra
de ambiente bem sadio
ao doce som da guitarra
canta-se o fado vadio
***** ***** ***** *****


- Apresentador: Então muito boa noite, meus senhores e minhas senhoras, respeitável público. Bem vindos a mais uma louca noite fadista, aqui no Solar da Rosa, que se orgulha de apresentar semanalmente as melhores figuras -e figurões- da nossa praça. Estes artistas, deixam lá fora no bengaleiro todos aqueles rócócós do política e socialmente correcto e vêm aqui exprimir-se de alma a coração no mais representativo e genuíno modo de ser português: O FADO...

(aplausos)


...Esta noite temos o grato prazer de vos brindar com o Fado à Desgarrada...

(aplausos intensos)


...Mas antes de vos apresentar os artistas em compita, queria explicar aos menos conhecedores desta forma de interpretação o seguinte:...

(Tá bem mas despacha-te ó camelo!)


...Prometo que serei breve!

(aplausos)


...O fado "à desgarrada", ou se preferem "ao desafio", obriga os fadistas a uma regra muito severa que é a seguinte: O que "pega" na deixa do parceiro deve respeitar a rima sem repetir a palavra...

(explica lá isso melhor, ó chouriço!)


...Eu exemplifico: Imaginemos que um fadista termina a sua quadra com a palavra ROSA; O parceiro não pode começar a sua resposta dizendo Rosa, mas sim dentro do primeiro verso colocar uma palavra que rime com ela, exemplo: Ranhosa, manhosa, asquerosa, etc.; Entenderam?

(Mas nós somos atrasados mentais, ó palerma?...Entendemos!)


...Pois então assente isto, vamos lá às apresentações:
À Guitarra: Almeida Santos
À Viola: Anã Drago
No Baixo: Marques Mendes
Senhoras e senhores, na minha e na vossa presença este duo extraordinário de fadistas que aceitaram desafiar-se mutuamente: Mário Soares e Aníbal Cavaco, para os quais peço o vosso aplauso!

(Aplausos Vibrantes da plateia)
As luzes apagam-se e as velas emprestam uma luz bruxuleante ao ambiente. Os instrumentos gemem. Por uma questão de idade, começa o Mário:

Boa noite Portugueses
quero dedicar este fado
à gerência e aos fragueses
a todos muito obrigado


Público: Àh fadista!

Cavaco: Sou algarvio marafado
mas no fundo bom rapaz
e estou sempre ao vosso lado
mostrando o que sou capaz



Mário: Eu vou ser duro e voraz
muito pior que um leão
sinto muito meu rapaz
vou desfazer-te na mão



Cavaco: Água benta e presunção
não acompanham canalhas
não te armes em campeão
que os meus dentes são navalhas



Mário: Vais ficar feito em migalhas
meu charmoso gabirú
se os teus dentes são navalhas
faz-me aqui a barba ao cú



Público: Ah,ah,ah,ah,ah! Está quentinho, está quentinho!

Depois da afronta baixa, Aníbal não resiste e atira-se aos gasganetes do Mário. Este por sua vez agarra na cadeira onde se sentava o Marques Mendes (que cai redondo no chão) e espeta-a pelos costados do Cavaco abaixo. Marques Mendes, vendo o dono levar com a cadeira no lombo, dá um salto no ar e enfia o baixo pela cabeça de Almeida Santos que ria à vara larga. Anã Drago pira-se de finhinho por baixo das pernas dos beligerantes e esconde-se nos bastidores.
Entre o público, começam a distribuir-se sopapos e estaladões a esmo entre os partidários do Mário e do Cavaco.
O apresentador, fugindo às garrafadas e protegendo as fuças, tenta apaziguar os ânimos:
- Apresentador: Meus senhores, então? Que vergonha! Párem por favor!...
Leva com uma garrafa de morangueiro meia-vazia em cheio na moleirinha e cai para o lado.
Ouvem-se sirenes e entra a polícia de bastão em punho, distribuindo chinfralhada em tudo aquilo que mexe e está parado. Depois de devidamente "tratados" pela bófia, vai tudo nas ramonas para o governo civil.
O apresentador -que por estar K.O. no meio do palco não foi em cana- acorda uma hora depois coçando um galo gigantesco no alto da "peúga". Olhando o estrago que para ali vai exclama:
- Apresentador: Estes filhos da puta destes políticos são sempre a mesma merda!...
- Todos não! Alto aí que isso não é verdade - responde uma voz de galinha choca vinda de trás das bambolinas
- Mas! quem é que está aí?!
- Sou eu, a Anã Drago, a artista da viola, escondidinha aqui atrás da bambolina da esquerda alta!
- Pode sair que já acabou a pouca-vergonha!
- E a bófia? Já foi?
- A bófia?! Ai esteve cá a bófia?! Não vi!... Eu estava desmaiado e não dei por isso!
- Esteve pois!... Já se foi ou não?
- Já deve ter ido; não está cá mais ninguém. Pode sair daí!
( A Anã Drago aparece ao Apresentador)
- Mas... se você não se meteu em nada disto está com medo de quê?
- Chiuuu! É que antes de vir para aqui passei pela Serafina e comprei uns "porros" lá para o meu pessoal. Ora, se a bófia me "agarra" tá a ver!
- Ai estou, estou! É o que eu digo: Uns de uma maneira, outros de outra, estes políticos são todos a mesma merda!



por Zecatelhado * 01:08


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[quarta-feira, julho 27, 2005]

* Babel ( cont... )

...
- Ora bem; então que vamos nós fazer ao homenzinho que quer ser um Deus? A torre está acabada e amanhã pela fresquinha vai disparar a seta. Miguel?...
- Sim, Senhor Yavé!
-Tens alguma ideia brilhante em mente, como é teu hábito?
- Por acaso...tenho, Senhor Yavé!
- Então fala! A mim a única coisa que me dá vontade é reduzir esse maluco a pó, JÁ!
- Calma Senhor! Com o devido respeito, seria pior a emenda que o soneto. Reduzido este a pó logo outro se levantaria, e assim sucessivamente até ao último homem. A teimosia e a persistência no erro, aliadas à ambição desmedida sem olhar a quem nem a nada, são uma das faces mais negras do "livre-arbítrio", essa é que é essa!...
- E então?!...
- Então... o plano é o seguinte:

*****


Assim que a flecha de Nimrod passou as nuvens baixas que estavam ao seu alcance, Yavé fez estalar no Céu um raio tão poderoso e luminoso que, ao atingir a torre esta se desmoronou completamente até à base. Teve Yavé no entanto o cuidado de não ferir Nimrod, nem nenhum dos trolhas e igualmente a massa humana presente.
Nimrod, meio atarantado com o que acabara de acontecer, levantou-se, sacudiu o pó das suas vestes reais, colocou a coroa na cabeça e exclamou:
- Pariatipu magriolu cúnú?!
- ???!!!
-Margagajeli tetrici mirodigi?!!!
- Mas que dizeis vós meu Senhor?! (perguntou o trolha mais próximo, que ouvindo aquilo pensou imediatamente que o seu rei endoidecera)
- Mas que estou eu para aqui a dizer?!!! ( pensou Nimrod)
- Tratari alcabá dififi!!! ( respondeu outro)
- Majukilibá kekeguá saravá!!! ( disse outro)
Perceberam então todos na hora o que tinha acontecido; de repente, devido a qualquer efeito desconhecido, tinham começado a falar línguas completamente diferentes e ninguém entendia ninguém.

*****


Yavé ria como um perdido. Virando-se para Miguel, disse:
- Muito bem esgalhado este plano, sim senhor! Ah,ah,ah,ah! a cara daqueles tontinhos a pensar que o parceiro do lado estava doido, ah.ah.ah.ah! E a cara deles a olharem para a torre de BABEL ( passar-se-á a chamar assim na história porque Babel significa muitas línguas ) feitinha em cacos? eh,eh,eh,eh!
- Agora, disse Miguel, irá cada um para seu canto no planeta e nunca mais se lembrarão de fazer torres que tenham o céu ao alcance de uma flecha!
- Uhmmm!!!... bem... aí é que tu te enganas!
- Não me digas que vão repetir a história outra vez! Não quero acreditar!
- Não tenhas a menor dúvida! Baralhar as línguas deles só resolveu momentâneamente o problema. Esta coisa do "livre-arbítrio" não vai ser nenhuma pêra-doce, isso te garanto. Quanto ao construir torres... vai ser um fartote pegado!
- E tu vais permitor que tudo aconteça de novo? Não as destruirás como fizeste com esta?
- Não vai ser necessário. Os descendentes directos de Nimrod vão-se encarregar de o fazer!
- Porquê? Por inveja?
- Não! Nesse tempo já ninguém se lembrará da torre de Babel!
- Então porquê?
- Tão só porque o dom do "livre-arbítrio" vai provocar na raça humana o mais terrível de todos os conflitos!
- Pode saber-se qual?
- O não conseguir distinguir a verdade da mentira, a realidade do embuste, o bem do mal. O homem confundirá tudo. Uma pequena elite que se julgará serem pequenos Deuses, tal como Nimrod pensava, será hábil na erte do engano e porá essa habilidade mestra em acção, deixando a humanidade à beira do caos absoluto pensando estar a conseguir a ordem.
O maldito estará bem perto de vencer a aposta!
- Como podes permitir isso?
- Tenho que permitir; Apostei e honrarei a minha aposta sem recorrer a batotas de qualquer espécie, pois se viciasse o jogo estaria a fazer exactamente o que o maldito fez, valha-me...Eu!!!
- Sinceramente, não estou a ver como vais descalçar a bota!
- Acredita que vou descalçar!
- Se tu o dizes... eu não posso duvidar. Estou é curioso para saber COMO!!!

Yavé não respondeu. Virou costas e recolheu aos seus aposentos. Deitou-se de barriga para cima, colocou as palmas das mãos sobre a cabeça e descansou do dia agitado que tivera.
- Miguel tem alguma rezão. Esta aposta está a ir longe demais. Devia ter destruído Lúcifer, os seus seguidores, e por atacado também Adão e Eva. Não o fiz porque adoro jogos e pelo-me por apostas, mas que querem? Até eu que sou Deus tenho direito às minhas fraquezas!
Sorrindo fechou os olhos, embora não adormecesse porque havia que cumprir o que estava escrito: DEUS NÃO DORME!


por Zecatelhado * 01:30


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[terça-feira, julho 26, 2005]

* Babel


-Nimrod estava entediado. Já não suportava mais as danças, a música, as pantominices, os lautos banquetes noite-fora, os bacanais desenfreados, estava farto da sua mulher - que era Semiramis (as minhas desculpas à Joana, pela qual nutro um grande respeito, eu que sou um leitor fiel do seu blogue)a sua mãe com a qual casara, etc, etc, etc....
Nimrod tinha "tudo", e ter "tudo" é o pior que pode acontecer na vida de um simples mortal.
Nimrod pensou, pensou, pensou... e a ideia estapafúrdia que viria a lixar a humanidade através dos séculos, afluiu à sua cabeçorra real:
" Vou construir a maior estrutura alguma vez pensada pelo homem: Uma torre tão alta, tão alta, tão alta que... do seu cimo o céu fique somente ao alcance de uma flecha do meu arco!"
Meu dito, meu feito, lançou mãos à obra.

*****


Yavé discutia com as suas mais perfeitas criações, o problema criado com o "anjo caído" - Lúcifer, o portador da Luz- que havia traído a vontade do seu criador ao dar ao homem e à mulher o dom do "livre-arbítrio", num golpe sujo e traiçoeiro da forma por todos nós conhecida, sendo que isso levou à eterna perdição de Lúcifer - até aí uma das mais belas criaturas celestiais- e igualmente à dos seus partidários, que foram lançados no abismo ficando a "habitar" um espaço que medeava entre o Céu e a Terra.

*****


O capataz-mór de Nimrod entrou na tenda do soberano e anunciou:
- Senhor; podemos fazer, se o desejares e autorizares, a tradicional festa do pessoal das obras quando se atinge o topo da construção, e que se chama "Festa do Pau de Fileira"!
- Capataz; está então terminada a obra?
- Sim, meu Senhor, está terminada!
- Então façamos a tal festa!... mas já agora explica lá: que tipo de festa é essa?
- Ora, Majestade!... entre os labregos dos trolhas e dos serventes, que mais poderia ser senão uma bebedeira sideral e umas cantigas "pimba" à mistura?
- Ai é isso?!... eh,eh,eh!... pois claro, dizes bem, que mais poderia ser vindo dessa escumalha? Faça-se lá a festa que eles até merecem. Amanhã pela fresquinha subirei à torre com o meu arco, depois de lhes ter passado a "tremelga", e o mundo verá como eu, Nimrod, vou atingir o Céu!

*****


Miguel, o Arcanjo mais perfeito de Yavé, exclamou:
- Senhor; eu bem te avisei que o Arcanjo da Luz ia fazer porcaria!... não me deste ouvidos, e depois deu no que deu!
- Pára de me atormentar, Miguel! O que está feito, feito está e não há volta a dar-lhe. Tenho vontade de destruir o homem, Lúcifer e os seus seguidores: -Cont+Alt+Del/Reset C:- mas isso seria dar razão ao maldito e eu detesto perder apostas!

*****


Nimrod colocou a flecha na corda do arco, inchado e orgulhoso como um pavão real. Virando-se para a multidão que se amontoava torre-abaixo até ao sopé desta, exclamou:
- Povo meu; Ireis assistir ao maior momento de glória de toda a humanidade até aos dias de hoje; O momento em que eu, Nimrod, vosso rei e senhor me tornarei num Deus, pois irei atingir o Céu com a minha seta!
- Grande! Grande é Nimrod! O seu poder é de um Deus, Salvé! -gritava a multidão em histeria.
Nimrod esticou o arco e disparou a flecha.

*****



continua amanhã à mesma hora...


por Zecatelhado * 01:03


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[sábado, julho 23, 2005]

* Vemos, ouvimos e lemos
Posto isto, a poetisa concluía: "Não podemos ignorar." O escritor moçambicano Mia Couto actualiza esta incitação: "[Nós], os povos dos países pequenos, temos uma arma de construção maciça: a capacidade de pensar."
Vimos, há meses, um cientista cujo nome lamento não ter registado, declarar que "a humanidade se encontrava numa situação de estagnação evolutiva, sem paralelo em toda a sua história."Debatia-se com a insensatez de estarmos a aguardar a exaustão de um recurso natural não renovável, detendo por várias décadas o conhecimento de tecnologias alternativas e vantajosas que, aparentemente, só terão oportunidade, quando o petróleo desaparecer. O exemplo com que ilustrava a afirmação não era menos veemente: "Não foi por ter acabado a pedra que se passou à era seguinte. Pelo contrário, continuamos a recorrer à utilização da pedra, nos exactos termos e modos em que ela se manifesta vantajosa, mormente com base em processos inimagináveis na sua remota era."
Ouvimos o Professor Rui Namorado Rosa, da Universidade de Évora, afirmar que a escassez física do petróleo (que o "mercado" não alcança), a crise económica geral (também nos EUA), a debilitação do dólar (ainda o principal instrumento de transacção comercial e de reserva dos bancos centrais), acrise financeira mundial, a emergência da zona euro, a possibilidade da OPEP vir a adoptar o euro na denominação do preço do petróleo constituem uma combinação de factores entrelaçados e aparentemente explosiva".
Lemos, do escritor norte-americano Gore Vidal, uma reflexão anunciando que "quem se propuser a tarefa de determinar o preço de um barril de petróleo, sem considerar custos de guerra(...) dos EUA, não conseguirá concluir o cálculo."
Junte-se a esta lógica a interrompida folha de bons serviços de Saddam, enquanto aliado estratégico dos EUA, e compreender-se-á finalmente a "necessidade" da sua substituição... Permanecerá hipócrita a "preocupação", súbita e serôdia, com as condições de vida dos povos do Iraque.
Peço-vos que pensem, comigo por momentos, nuns quantos seres nossos iguais, frequentemente esquecidos pelo fulgor mediático: os meus amigos iraquianos.
Os meus amigis iraquianos saíram do Iraque, no dobrar dos anos 70 para os 80, quando o Iraque começava "a ser" de Saddam. Uns, porque são curdos; outros, progressistas; alguns, ambas as coisas; mas muitos, porque simplesmente se "opunham" e, se acaso se destacavam, era fugir ou morrer!
Os meus amigos iraquianos não conseguiram evitar Saddam, tal como nos demoraram Salazar e Caetano. Veio a "Tempestade no Deserto" e o tempo era de guerra - nunca de esperança...
Sabiam que não podiam voltar ao país e assistiam; à morte dos seus que lá ficaram, à miséria e ao desespero, ao boicote e ao fanatismo e ao "novo Saddam": inimigo poupado, ameaça contida, islamita farsante, fornecedor do mundo. Para maior cúmulo, viu reforçada a posição do ditador, alcandorado ao papel de factor da coesão nacional suscitada pela intervenção estrangeira.
Que será agora dos meus amigos iraquianos? Lembremos a pergunta infantil de John Le Carré:
"-Vão matar muita gente, papá?
-Ninguém que tu conheças, querido. Só estrangeiros."

Quando se anuncia a (longa) ocupação militar, após a vitória, pensem como os generais "vencedores" tratarão da democracia no Iraque: Os Estados Unidos da América ocuparam o Haiti durante 19 anos, e fundaram o poder que pariu a ditadura de Duvalier; Ocuparam a Republica Dominicana, durante 9 anos, e fundaram a ditadura de Rafael Leónidas Trujillo; Ocuparam a Nicarágua, durante 21 anos e fundaram a ditadura de Somoza. E o Chile, e o Irão, e o Kuwait, e o Afeganistão, e tantos outros! E não me venham com o Japão, onde o processo de "democratização" começou com o lançamento de duas bombas atómicas em Hiroxima e Nagasáqui. Assiste-nos o nojo que assolaria os países da democracia mal herdada: Thomas Jefferson, John Adams e Benjamim Franklin.
E pensem na questão levantada pelo escritor uruguaio Eduardo Galeano, referindo-se a Bush II, o mais eficaz promotor do antiamericanismo, na actualidade: "Quem o elegeu presidente do planeta? A mim ninguém me convocou para votar nessas eleições. E a vocês?"
Somos contra a pena de morte, nós, portugueses, pioneiros no mundo. Não os matem, julguem-nos e condenem-nos nominalmente: os Saddams, os bushs, os blairs, os aznares e os mais que urge arrolar à acusação...
Em nosso nome!

(Hernâni Mergulhão) Professor do ISEL, que faz o favor de ser meu amigo.
Bem haja professor pela sua lucidez
Um abração do
Zecatelhado


por Zecatelhado * 23:06


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* O Meu Candidato...!


Mas qual Pateta Alegre, Avó Cavaco, Bisavô Soares... Candidato para mim só há um:
O CRISTO REI e mais nenhum!
Reparem bem:
- O homenzinho é um democrata a sério: Coloca a esquerda e a direita à mesma altura, conforma os braços podem comprovar.
- Não dá tratados de filosofia mas também não diz asneiras, conforme o silêncio a que se remeteu estes anos todos o comprovam.
- Não usa msmo gravata, o que ao contrário do Louçã e do Pateta Alegre quando o fazem, é só para se armar "à esquerda" da moda.
- Está habituadíssimo a fazer figura de parvo em cima de um palanque vendo gente a desfilar.
- Conhece a Capital do Império melhor que qualquer outro candidato, pois passou a vida a observá-la de dia e de noite.
- Usa barbas à Fidel Castro o que deve irritar sobremaneira os Americanos, e eu gosto disso que me pelo!

Se mais razões não houvessem estas por si bastariam, portanto... já decidi!


por Zecatelhado * 17:54


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[sexta-feira, julho 22, 2005]



Lá Vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
com tricórnio de côr preta
D. José a comandar
D. Costa trata de ver
se corre tudo a preceito
D. Diogo vai escolher
os aliados de peito
D. Cunha juntou-se ao Pinho
dois em um, está bom de ver
p'ra contar o dinheirinho
que o baú vai receber
D. Luís limpa os canhões
D. Correia é enfermeiro
a Lurdinhas dá lições
a tudo que é marinheiro
D. Jaime é o despenseiro
D. Gago lê as estrelas
D Lino faz de pedreiro
D. Correia limpa as velas
D. Vieira é o tenente
mais querido da marinhagem
é ele que paga à gente
em cada mês de viagem
D. Pedro de pé à ré
transmite pr'à populaça
aquilo que D. José
ordena pois que se faça
D. Augusto é o papagaio
escolhido p'lo Capitão
D. Alberto é o lacaio
encarregue da prisão
A Dª Isabel de Lima
tem tarefa desgastante
escada abaixo, escada acima
que a cultura é importante
P'ra compôr o ramalhete
das flores do Capitão
só faltava o mandarete
quem é ele?...D. Lacão
É esta a tropa fandanga
que promete à Catrineta
que o discurso da tanga
já foi posto na gaveta
Com estes novos doutores
vai ser um sempre a aviar
ouvi agora senhores
uma história de pasmar


Neste Ano Santo da Graça
aos vinte do mês de Julho
estando o país ao barulho
outra vez com tudo a arder
por ninguém querer entender
porque acontece esta praga
um'outra história aziaga
ombreou com tal desgraça

Pairava grande ameaça
com a escassez do pilim
muita gente chama assim
àquilo que compra o pão
o tintol e o sabão
o azeite, o bacalhau
a pimenta, o colorau
e sem o qual minguém passa

Valentes homens de raça
os marinheiros da Nau
sabendo tudo tão mau
no que à "guita" diz respeito
aguentavam de peito
o infortúnio e a desdita
fruto da corja maldita
com mestrado na trapaça

Esse bando que esvoaça
qual abutre rapineiro
quando lhe cheira a dinheiro
mergulha em voo picado
e nunca está saciado
do seu voraz apetite
d'uma avidez sem limite
é composta a sua massa

Fôra tão grande a devassa
pela qual a Nau passou
que pouco ou nada sobrou
do ataque do tal bando
e a malta agora amargando
esse fartar-vilanagem
suportava com coragem
a má vida na barcaça

Mas quando a má-sorte abraça
atrás de uma outra vem
e nesse dia também
o ditado se cumpriu
um grande grito se ouviu
o célebre "homem ao mar!"
alguém ousara pular
sentido o fundo a uma braça

"Agarrem-me essa carcaça
que daqui ninguém se pira
olha que coisa tão gira
era só o que faltava
ou repartimos a fava
deste bolo nauseabundo
ou vamos todos ao fundo
gente bem e populaça!

Juro, não sei que faça
a este traidor de um raio
vai levar um tal "ensaio"
de chibata nos costados
que ficarão bem marcados
p'ra nunca mais se esquecer
que a quem se quer escafeder
declaro aberta a caça!

Olha quem é a fataça!
D. Cunha?! Não posso crer!
diga, que quero entender
porque quis "dar o cavanço"
mas vós julgais que eu sou tanso
ou que o vigia é zarolho
cego, com algum terçolho
ou pifado de cachaça?

Diz lá ó alma vivaça!.."
"D. José, por piedade!
juro dizer a verdade
não me mandeis açoitar!"
"Então começa a cantar!"
"Eu só quis dar à soleta
saltando da Catrineta
como a osga salta à traça...

Somente por quão madrassa
foi p'ra mim a triste sorte
só sendo um doido de morte
ou um bombista suicida
aceitaria na vida
trabalho a perder dinheiro
eu também não sou bombeiro
nem chanfrado da "cabaça"...

Pensei: Que se lixe a taça
vou mas é desopilar!
então se posso ganhar
mais com as reformas que tenho
ando a chorar baba e ranho
sofrendo a tola em acção
ataques de comichão
quais picadas de carraça?"...

"Ergamos na primeira praça
uma estátua a este santo
ou mesmo uma em cada canto
para ser mais comovente
anda p'raí tanta gente
tendo pensões de velhice
que s'este exemplo seguisse
p'rá malta era uma panaça!"

" Quem é que assim testemunha?"
-interrogou D. José-
"Eu!" que estou aqui de pé...
-disse um marujo jingão-
e a turba juntou-se então
ao camarada jocoso
e em uníssono, no gôzo
bradou: Á "G'ANDA" CUNHA!


Autor: Zecatelhado - em : wwwlimite.blogspot.com


por Zecatelhado * 17:25


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[quinta-feira, julho 21, 2005]


* Na Barca do Inferno de Mestre Gil
Auto de moralidade composto por Zecatelhado por contemplação da sereníssima e muito católica rainha Dª Maria Rita, nossa senhora, e representado por seu mandado ao poderoso príncipe e mui alto rei D. Cenourinha, primeiro de Portugal deste nome. Começa a declaração e argumento da obra. Primeiramente, no presente auto, se fegura que, no ponto que acabamos de espirar, chegamos subitamente a um rio, o qual per força havemos de passar pera o inferno: o batél tem um seu arrais na proa: o Berzebú infernal e um companheiro.

*****



Acabando de despejar o fidaldo da ilha no inferno, o Diabo e o Companheiro voltam a fazer o caminho até à margem do cais de embarque em busca de novas almas.

DIABO: Filho da pata que o pôs!
Que refinado cabrão!

COMPANHEIRO: O arroz já lhe darão
os mafarricos da casa!

DIABO: Já mandei que um ferro em brasa
lhe fosse bem aplicado!

COMPANHEIRO: E foi muito bem pensado
concordo com esse "afecto"!

DIABO: Bem pelo centro do recto
até sair pela boca!

COMPANHEIRO: E isso 'indé coisa pouca
para bicho tão repelente!

DIABO: Ponto final no demente
vamos lá buscar mais um!

( Chegam à margem e ao cais onde os aguarda outra figura - ou figurão, conforme a prespectiva )

COMPANHEIRO: À barca, à barca senhor
que temos gentil maré!

DIABO: Olha lá pr'ó granizé
fazendo papo de galo!

COMPANHEIRO: Vamos então embarcá-lo
dar-lhe o inferno em destino!

DIABO: ( para a figura ) De onde vens tu meu menino
feio olho de goraz?

FIGURA: Te renego Satanás!
Abrenúncio! Berzebú!...

DIABO: ( para o ajudante ) Mais um que quer pelo cú
um ferrete bem quentinho!

FIGURA: Não entro nesse barquinho
nem morto, ser repulsivo!

DIABO: ( rindo ) Mas acaso estás tu vivo
ó meu pavão emplumado?

FIGURA: Embora morto e enterrado
estou bem vivo na história!

DIABO: ( às gargalhadas ) Ai como adoro a vanglória
deste sapo tão inchado!

FIGURA: Sapo eu, ser odiado?
fica então tu a saber!...

DIABO: ( para o Companheiro ) Ouve o que nos vai dizer
este papalvo da treta!

FIGURA: ...que até Pessoa, o poeta
um dia a mim se referiu!

DIABO: ( jocoso ) Mais modesto não se viu
nunca, por este cais!

FIGURA: E ainda te digo mais
fez um apelo aos peixinhos!...

DIABO: Que fechassem os olhinhos
e seguissem o pedante?

FIGURA: Não, meu ignorante,
que fossem atrás do cherne!...

DIABO: No que à vaidade concerne
davas meças a Narciso!

FIGURA: E eu desde já te aviso
que não tolero a insolência!

DIABO: E saiba vossa excelência
que já basta de paleio!

COMPANHEIRO: ( dando com o remo em cheio no rabo da Figura )
Está terminado o recreio
ora toca a embarcar!

FIGURA: Mas como ousas tocar
em mim que sou importante?

DIABO: ( rindo como desalmado QUE É )

Olha que ao meu subalterno
salta a tampa da marmita
e se uma coisa o irrita
até eu, Diabo, tremo
se agarra a sério no remo
prega em ti um tal enxerto
qu'inda ficas sem conserto
antes de entrares no Inferno!




por Zecatelhado * 16:51


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[terça-feira, julho 19, 2005]

* A Cigarra e a Formiga

Trabalhando arduamente todo o Verão, preparava-se a formiguinha para o merecido descanso de Inverno no conforto do seu lar. A despensa abarrotava de comida, fruto da luta incansável que travara. Era mais que merecido este descanso.

*****



A cigarra chegou a casa e arrumou a viola.
Passara o Verão num folguedo tremendo, dando concertos por tudo o que era bosque. Agora, chegado o Inverno, estava apreensiva: Como iria sobreviver com a despensa completamente «às moscas»? Logo se veria.

*****



O rei Leão relaxava após ter emborcado meio gnu bem gordito. A vida era bela. A bicharada respeitava a sua autoridade sobre tudo e sobre todos, pois temiam a sua força. Era ele que decidia as questiúnculas entre os súbditos, tentando sempre com a sua sabedoria ( e matreirice ) aplicar a justiça o melhor que sabia.

*****



Como dissemos, o Outono estava a dar os últimos suspiros e o Inverno aproximava-se rapidamente, dando sinais que ia ser duro e bravio. Uma chuvada diluviana abateu-se sobre a floresta com tal violência que arrastou tudo à sua passagem.
A pobre da formiguinha que ainda há pouco dera graças ao Criador Supremo pela abastança conseguida, viu num repente a água em fúria invadir a sua casa, levando na enxurrada tudo o que havia armazenado com tanto esforço.
Chorosa e mal-dizendo a sua sorte, viu ainda para cúmulo dos cúmulos a água atirar o que fora seu contra a porta da preguiçosa cigarra. Esta vendo tal milagre dos céus, cantava hossanas em louvor dos santos que haviam patrocinado tal milagre, enquanto arrecadava feliz da vida tudo dentro de casa.

*****



REI LEÃO
-
Pois dona formiguinha, o que me conta é deveras triste, porém sou forçado a dizer-lhe o seguinte: «Não meto prego nem estopa» no assunto. Se a natureza e o Criador quiseram que assim fosse, quem sou eu, um humilde leão mortal, para os contrariar?
Se a dona cigarra lhe quiser devolver as coisas, não me oponho, mas se não quiser não a obrigarei.


CIGARRA
- ( matreira) Majestade; Quão sábias são as palavras! Também eu, uma humilde e mortal cigarra, não irei contrariar a vontade divina!

REI LEÃO
- Pois então está decidido, e como diz o rifão: "O que está decidido decidido está". Podem retirar-se ambas porque dou por finda a audiência, mas antes ainda pergunto à dona formiguinha se tem mais alguma coisa a alegar.

FORMIGUINHA
- Mas que posso eu alegar Majestade, por mais razão que me assista contra a vossa poderosa vontade? Nada! Tenho que me resignar. No entanto, pedir-vos-ia só uma coisinha...

REI LEÃO
- Diga lá então depressinha que eu tenho mais que fazer!

FORMIGUINHA
- Se Vossa Majestade, nas suas deambulações por aí, encontrar alguma vez um tal senhor de La Fontaine, dê-lhe por favor este recado:

Chega de cantar vitórias
à justiça e à verdade
porque uma coisa são histórias
e outra a realidade




por Zecatelhado * 17:28


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[sexta-feira, julho 15, 2005]

O SOLAR DA ROSA



Nesta tasquinha bizarra
de ambiente bem sadio
ao doce som da guitarra
canta-se o fado vadio

***** ***** ***** *****

- Meus senhores, minhas senhoras, estimado público aqui presente:
Vai ser inaugurado oficialmente dentro de momentos, pelo gerente máximo desta casa, o senhor engenheiro José Fócrates, Grão-Mestre da Loja Rosa, este espaço que se pretende de todos: Rosas, laranjas, vermelhos, azuis, verdes e côr-de-burro-quando-foge, e todas as demais cores que possam algum dia vir a sentar a "panela" no Parlamento.
Pretende-se que, recorrendo à forma mais original de ser português, que é o fado, venham aqui ilustres representantes parlamentares explicar aos portugueses em linguagem que eles entendam - cagando pura e simplesmente no políticamente correto -quais são os reais problemas com que se debatem as diversas Lojas, e, repito, que melhor linguagem senão aquela que o povo luso herdou geneticamente e que se chama FADO?
Mas... não me vou alongar mais e passo de imediato a palavra ao nosso Grão-Mestre e Gerente Máximo desta tasca, o senhor Engenheiro Fócrates.

( aplausos )


- Portugueses!...
- Ó senhor engenheiro, não se esqueça que aqui não se fazem discursos...
- Ai! desculpem lá! esqueci-me desse pormenor...

( risos na sala )


- ...Senhores e senhoras, estimável público...

( Úhuhuhuhuhuhuh... já ouvimos! )


- ... Pronto...bem... então está tudo dito. ... Divirtam-se!

( aplausos )( volta o apresentador )
- Meus senhores, minhas senhoras...

( outra vez? Uhuhuhuh... )
- Bem... tenho então a honra e o prazer de anunciar o primeiro convidado desta noite. Senhores e Senhoras, na minha e na vossa presença o Grão-Mestre da Loja Vermelha, o senhor camarada Jeronimoniev de Sousisky!

( aplausos )


- Camaradas!...

( algumas vozes: Uhuhuhuhu.. )
- ...Amigos!...

( aplausos )


É com muita honra e prazer que equi estou; Os camar... da Bombardier(!?)...

( Uhuhuhuhu.. )


- ...desculpem lá, eh,eh,eh! troquei os discursos... Bem: O nosso maior problema lá na Loja é a falta de irmãos activos. O trabalho está todo atrasado e a malta está pelo pescoço com trabalho atrasado. Este pessoal de agora já não é como o de antigamente, que fazia tudo por amor à camisola( ou seja: à causa ). Agora faz-se tudo a troco de dinheiro ou géneros e portanto a malta está tramada. Eu vou dar-vos um exemplo: Para arranjar-mos pessoal para colar os últimos mil cartazes que mandámos imprimir, tivemos que fazer uma parceria com a telecel que nos forneceu cinquenta télélés para os marmanjos da cola. O preço da brincadeira (a tal parceria) foi colocar no cartaz o nome do parceiro. Agora vejam bem como ficou a merda do cartaz:

A LOJA VERMELHA APOIA O PROTESTO DOS PORTUGUESES


CONTRA AS ESCUTAS TELEFÓNICAS


Éste cartaz tem o patrocínio da Telecel



( risada geral na sala )


... Agora, vejam bem a tristeza disto!
Um outro problema, e esse é o principal, é a fuga constante de irmãos para outras Lojas e os que não dão à sola já são mais cotas que o Matusalém, sem força para o balde, o pincel e os cartazes! Estão a ver a cena?
Pois sobre esses problemas todos, fiz aqui um faduncho baseado no nosso glorioso hino, que o camarada-irmão Manuel Aziago escreveu antes de ir fazer companhia ao Lénine no paraíso socialista e o camarada-irmão José Barata Morta compôs. Chama-se:
"HÁ VINTE CAMARADAS!

( Aplausos )



Há vinte camaradas há vinte
é tudo o que nos restou
há vinte camaradas há vinte camaradas }Refrão
o resto deu à sola ou já lerpou

A Zita quiz a laranja
O Magalhães virou rosa
O Brito ficou sem côr
e diz-se um reformador
mas ninguém lhe entende a prosa

Refrão

Remato ainda dizendo
p'ra terminar o fadinho
que com tanta deserção
por óbito ou por traição
ainda fico aqui sozinho

Refrão


( Aplausos vibrantes:"Àh! boca linda! Àh! Fadista!" )



- Obrigado, obrigado...

( sai de cena )



-E pronto, meus amigos: Terminou por hoje a primeira sessão das noites fadistas
do "Solar da Rosa". Para a semana teremos um convidado neste palco vindo de uma outra Loja. Posso abrir só um bocadinho a bambolina para vos espicaçar a curiosidade. As cores da Loja são.... O côr-de-burro-quando-foge"...

( ahhhhhh!!!! )


- ... Não adivinharam?... não posso adiantar mais nada. Vão pensando nisso e estejam aqui de hoje a oito dias.
Muito boa noite a todos e fiquem na paz dos anjos. Obrigado!

FIM



por Zecatelhado * 01:38


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[quinta-feira, julho 14, 2005]

"Lá vem a Nau Catrineta"
e
O SISTEMA -Parte IV.
Tem aí o ling ( sobre o título ) e não deixe de ler nem comentar.


por Zecatelhado * 02:04


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[terça-feira, julho 12, 2005]

A verdade é como o azeite...

BIRANTA, sempre com olho arguto, amante da verdadeira liberdade e combatente da frente na luta pela VERDADE, abre hoje assim o SOCIOCRACIA:

Exercício, em Londres, "coincide" com Bombas!
Olhem só para isto, que está escrito em PrisonPlanet.com:
“Peter Power was a former Scotland Yard official, working at one time with the Anti Terrorist Branch.
Power told the host that at the exact same time that the London bombings were taking place, his company was running a 1,000 person strong exercise which drilled the London Underground being bombed at the exact same locations, at the exact same times, as happened in real life.”

Em Português: Peter Power era um antigo oficial da Scotland Yard, a trabalhar para a secção anti terrorista.
Power disse que no exacto momento em que os atentados de Londres aconteciam, a sua companhia executava um exercício, envolvendo 1.000 pessoas, que tinha como pressuposto a ocorrência de explosões (atentados), no Metro de Londres, exactamente nos mesmos locais, e horas, dos atentados ocorridos realmente.
E ainda:
The exercise fulfils several different goals. It acts as a cover for the small compartimentalized government terrorists to carry out their operation without the larger security services becoming aware of what they're doing, and, more importantly, if they get caught during the attack or after with any incriminating evidence they can just claim that they were just taking part in the exercise.
This is precisely what happened on the morning of 9/11/2001. The CIA was conducting drills of flying hijacked planes into the WTC and Pentagon at 8:30 in the morning.
It is clear that at least five if not six training exercises were in operation in the days leading up to and on the morning of 9/11. This meant that NORAD radar screens showed as many as 22 hijacked airliners at the same time. NORAD had been briefed that this was part of the exercise drill and therefore normal reactive procedure was forestalled and delayed.
The large numbers of 'blips' on NORAD screens that displayed both real and 'drill' hijacked planes explain why confused press reports emerged hours after the attack stating that up to eight planes had been hijacked.”

Em Português: “O exercício cumpria vários objectivos diferentes. Agir como uma “cobertura” para o pequeno “agrupamento” terroristas do governo, para realizarem a “sua operação” sem que os serviços de segurança superiores tomem consciência do que eles "fazem"; e, mais importante, se fossem surpreendidos durante o ataque, ou em seguida, com alguma evidência incriminatória, poderem apenas reivindicar que estavam fazendo testes, integrados no exercício.
Isto é precisamente o que aconteceu na manhã de 9/11/2001, em Nova Iorque. O CIA realizava exercícios de voo de aviões sequestrados, no World Trade Center e no Pentágono, às 8:30 da manhã.
Está confirmado que eram cinco, se não seis, os exercícios de treino integrados nesta “operação” nos dias que antecederam e na manhã de 11 de Setembro de 2001. Isto significou que os écrans dos radares de NORAD mostraram à volta de 22 aviões sequestrados ao mesmo tempo. NORAD tinha sido instruído que isto fazia parte do exercício e, consequentemente o procedimento reactive normal foi prevenido e atrasado.
Um grande número de 'blips' nas telas de NORAD que indicavam “aviões sequestrados” (incluindo os dos exercícios), explicam porque os relatórios de imprensa, surgidos na confusão, horas após o ataque, indicavam a existência de até oito aviões sequestrados."

Especificando melhor:
“The US government has been caught planning to carry out attacks and carrying out attacks. The British government has been caught red-handed as well. Members of Vladimir Putin's FSB were caught planting bombs in a Russian apartment building in 1999 by the Moscow police.
This is not speculation. Kermit Roosevelt admited on NPR radio that in 1953 the CIA and British intelligence carried out a wave of bombings and shootings in Iran. He then went on to brag about how they subsequently blamed the bombings on Iran's President, Mossadegh. Do you understand, these people brag about what they do 40 years later?
The London bombings have the same signature as the Madrild bombings of 3/11. Both of these bombings are almost indistinguishable from the Bolognia bombing in 1980 that killed over 80 people.
The bombing in Bolognia was part of a CIA operation code named Gladio, where the US government would pay right-wing terrorists to carry out bombings to be blamed on leftists in Europe. All of this was blown wide open when two of the Bolognia bombers were convited in an Italian court, forcing them to spill their guts admitting that they were neo-fascists contracted by the CIA. Operation Gladio documents have since been declassified.
The London terror alert level was lowered before the bombings took place. This gave the purpotrators extra cover to plan and execute the attack without having to evade the most stringent security.”

Em português:
“O governo dos USA foi “apanhado” a planear levar a cabo ataques e a realizar ataques. O governo britânico foi “apanhado” em actos semelhantes (comungando dos mesmos objectivos) também. Os membros de FSB de Vladimir Putin foram “apanhados” a colocar bombas num edifício de apartamentos Russo, em 1999, pelas polícias de Moscovo, para “incriminar “os terroristas Tchetchenos.
Isto não é especulação. Kermit Roosevelt admitiu, no rádio de NPR, que, em 1953, o CIA e a “Inteligência britânica” realizaram uma onda de atentados à bomba e de tiroteios, no Irão. Foi então que começaram a alardear (gabarolar-se) sobre como responsabilizaram, subsequentemente, o presidente de Irão, Mossadegh. Vocês compreendem estas pessoas que se gabam das atrocidades que fazem, 40 anos mais tarde?
Os atentados de Londres (em 07-07-2005) têm a mesma “assinatura” dos atentados de Madrid (de 11-03-2004); e ambos estes atentados são “indistinguíveis” dos atentados de Bolonha, em 1980, que mataram mais de 80 pessoas…
As atentados de Bolonha fizeram parte da “operação da CIA” a que foi dado o nome de código de “Gladio”. O governo dos USA pagaria a terroristas de direita para realizar atentados a serem “imputados” aos “esquerdistas” da Europa. Toda a esta “conspiração” foi “exposta” quando dois dos bombistas de Bolonha foram levados a um tribunal italiano, forçados a declarar os seus objectivos e admitiram que eram neo-fascistas, contratados pela CIA. Os documentos da operação “Gladio” foram desclassificados, desde então...
O nível do alerta “terrorista”, em Londres, foi reduzido antes da ocorrência dos ataques bombistas. Isto deu aos seus executores a cobertura extra para planearem e executarem o ataque sem ter que enfrentar uma segurança mais estrita."
É o que eu digo: as evidências são aos milhões...

Elucidativo.
Bom começo de semana
Zecatelhado


por Zecatelhado * 00:26


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[domingo, julho 10, 2005]


Nós e “O Estado do Mundo”!
Escreve Biranta no "Sociocracia" e no "Editorial". Depois deste artigo, há que dizer: "Só não vê quem é ceguinho", sendo que depois, como soi dizer-se: "O pior dos cegos é aquele..."

Nesta semana, que passou, um dos assuntos “internos” mais importantes foi “o debate do Estado da Nação”. Mas eis que, no meio do “show”, outro assunto, de maior impacto, se lhe sobrepôs: o regresso dos atentados terroristas, desta vez em Londres.
Por isso, e também porque existe realmente “globalização” nestas matérias, decidi colocar, no título deste artigo: “O Estado do Mundo”.
Nós também temos o nosso terrorismo, de trazer por casa, com que nos preocuparmos. A continuação da “saga dos incêndios florestais” aí está para prová-lo; mas, na essência, este tipo de questões têm o mesmo “suporte” comportamental (quer de quem governa, quer de quem é governado).
Para aqueles que me viram, durante meses, a recusar discutir os assuntos que estavam na moda, deve ser uma surpresa a mudança dos últimos tempos. Mas eu sou assim. As “opções” só duram enquanto se justificarem.
Vem tudo isto a propósito dos mais recentes atentados terroristas, em Londres. Já o disse, e não vou deixar de o dizer, a menos que me provem, inequivocamente, que não tenho razão, que todos estes atentados fazem parte duma cabala monstruosa, de autoria dos responsáveis americanos, para justificar a “luta contra o terrorismo”, incluindo, obviamente, a manutenção da ocupação do Iraque.
Quero dizer com isto que todos estes atentados são cometidos por gente que controla o governo americano (incluindo os préstimos da CIA). As evidências que fundamentam o que digo são aos milhões, não sendo de desprezar a avaliação da proveniência das “capacidade” dos terroristas e da ineficiência da “luta contra o terrorismo”. Pois sejamos rigorosos e exijamos eficiência a todos os “envolvidos”.
Ontem mesmo deixei um comentário sobre este assunto, num site brasileiro, e alguém me respondeu, por “e-mail”, ridicularizando, desta forma: “E o mandante dos atentados foi o Papai Noel,...”. Assim mesmo! O site pretende ser de “midia sem máscara” e sem capacidade de pensamento autónomo, sem inteligência também, diria eu…
Respondi que era boa a comparação porque, afinal de contas, nós todos conhecemos tão bem a Al-Qaeda e Bin Laden como conhecemos o Pai Natal. É exactamente a mesma coisa, o mesmo tipo de “fábula”, só que o Pai Natal da fábula é o Herói e o Bin Laden é o monstro (até por isso, não tem a menor hipótese de existir). Mas os “midia” são mesmo assim: a partir do momento em que construam uma qualquer fábula, não admitem que alguém lha “roube”, por mais absurda que seja, porque acham que perdem a “sua identidade”.
Então deixemos falar, através dos “midia”, alguém que conhece, pessoalmente, Bin Laden.
Num artigo, publicado no Expresso, em 2002, foi entrevistado um tal P. J. Almeida Santos, apresentado como “o Taliban Português” (eu nem sabia que também tínhamos disso…). Aqui ficam alguns excertos do que foi dito, embora de forma a fazerem sentido, ao contrário do que pretendeu o entrevistador:
“O ataque ao World Trade Center foi um erro estratégico. …mas eu não estou a dizer que foi Bin Laden a mandar os aviões, eu tenho dúvidas… O Corão e o Islão proíbem, terminantemente, a morte de mulheres, de crianças e de velhos, a morte de inocentes… Está a dizer que há uma diferença entre o Bin Laden que você conheceu e… …e aquele de que se fala. Exactamente! Bin Laden preferia perder a guerra, a matar inocentes… Mas… e o 11 de Setembro? Este é um dos motivos porque tenho dúvidas de que tenha sido Bin Laden, que até recusou, com veemência, o auto financiamento da Al-Qaeda, com dinheiro da droga, porque a droga destrói famílias… O Bin Laden que eu conheço é um tipo que admiro, pelo qual rezo… Eu sou aquilo que sou e tento dizer sempre a verdade. E o que disse aqui é verdade? Sim!”
E chega, porque esta entrevista também parece querer esconder mais do que revela. É tão superficial, tão pobrezinha, de ambos os lados…
Portanto, como vêem, o Bin Laden que realmente existe é uma pessoa com defeitos e virtudes; com virtudes suficientes para ser aceite como líder… o que não é bem o caso da maioria dos governantes do Mundo, que não contam com o apoio da maioria dos respectivos povos, não lideram coisa alguma, se apoderam do poder socorrendo-se de tudo, até de crimes. Ou seja: o Bin Laden de que se fala, o monstro, não existe. Foi inventado para que nos impor o medo, o terror que, uma vez instalado, o Mundo é deles (dos manipuladores).
Porém, tudo o que fica dito atrás são apenas os considerandos. Vamos ao que interessa:
As grandes campanhas de manipulação da opinião pública têm como pressupostos incutir-nos ideias (já prontas a consumir, não é preciso pensar) e conclusões (entre as quais o medo e o terror, paralisantes) que representam um enorme retrocesso filosófico e intelectual para a humanidade. ´
Um dos principais objectivos e pressupostos desta manipulação é a inversão de critérios de modo a assegurar impunidade aos manipuladores, através da ausência de responsabilização dos que exercem os altos cargos.
Por isso, e independentemente das “crenças” (das crenças, porque isto, de tão mistificado que está, já passou a ser uma questão de fé…) de cada um, quanto a estas questões, proponho que sejamos exigentes e responsabilizemos quem tem de ser responsabilizado, em qualquer circunstância.
(1) Não se admite que, após quatro anos de “luta contra o terrorismo” e apesar da enorme quantidade de meios usados e de abusos cometidos, ainda haja atentados como os que ocorreram em Londres. Quem dirige esta luta tem de ser responsabilizado, se não porque é cúmplice, ao menos porque é incompetente.
(2) Não se admite que a guerra no Iraque continue, apesar de ter sido engendrada com base em mentiras, apesar dos elevados custos em vidas humanas, em meios materiais, em destruição do planeta, em poluição.
(3) Não se admite que os povos do mundo não tenham possibilidade de decidirem acerca destas matérias (e da posição assumida pelos respectivos governos, na ONU e no terreno), nem que os governantes nos ignorem, quais nazis, no auge do holocausto em que transformaram a política internacional.
Tal como defendo, para o sistema eleitoral interno, a valoração da abstenção, como forma de responsabilizar os políticos pelos seus actos,
Também defendo, ao nível da política internacional, que os povos se possam pronunciar sobre as questões da guerra e da paz e respectiva posição dos respectivos governantes.
Nas decisões da ONU, quanto a estas matérias, os governantes têm de passar a ter de fundamentar os seus votos e assumpção de posições (de apoio, ou não) com o resultado de referendos internos, convocados para o efeito, com total liberdade de expressão de todas as diferentes opiniões.
Para finalizar, fica um apelo: deixemos de encarar a discussão destas coisas como um exercício, eclético, de dedução, de conjecturas, intelectualizado e estéril. É preciso que cada um adopte uma posição e a defenda sempre, (de forma civilizada, é claro) intransigentemente.
Está em causa o futuro e o destino do Mundo e da Humanidade; por isso sejamos intransigentes, mesmo que apenas nas coisas simples e óbvias, como a responsabilização de quem falha e a defesa dos critérios democráticos.
Enquanto não adoptarmos estas atitudes como opção de vida, as coisas não podem melhorar, porque se sobrepõem as campanhas mistificadoras (destruidoras) como únicas “coisas” de que se “pode” falar, que se “podem” dizer.
O lema é não desistir nunca de defender o que é correcto, por maior que seja o coro dos imbecis. Voltar ao tema as vezes que forem necessárias, não ceder um milímetro da nossa posição, porque nós é que estamos com a razão, porque somos a maioria (e, portanto, temos todas as condições para vencer… se não desistirmos NUNCA)
Já escrevi uma série de artigos com muitas outras evidências sobre a autoria dos atentados terroristas, que podem ser consultados em
Sociocracia
De Biranta


por Zecatelhado * 14:39


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ESTA POCILGA É UM BÔDO!!!

- Mas como é que é possível?
- Que "país" é este?
- Como é que se justifica isto?
- Estão a brincar com coisas sérias, não estão?

500.000!!! cidadãos deste país estão envolvidos de forma directa nas próximas eleições autárquicas. Entre Juntas de Freguesia e Câmaras Municipais, entre vogais, secretários, meninos de côro, presidentes, adjuntos etc, há 500.000!!! portugueses directamente envolvidos!
Como por lei(!?) toda a gente tem direito a 30 dias dias de dispensa das suas actividades profissionais ÁS CUSTAS DO ESTADO(!!!) para realizar a campanha, vejam bem o "BODO"!
Volto a perguntar: Mas isto é para levar a sério, ou está tudo a sacar o mais que pode antes da queda definitiva no abismo?

Um bom domingo para todos.


por Zecatelhado * 10:25


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[sábado, julho 09, 2005]


O NOVO CUBANO

Na bela ilha do Pacífico que é Cuba, ( tudo por culpa do Alberto João Banana do Jardim ) nasceu hoje um "pequenote" a quem puseram o nome de Marques Mendes. O "puto" parece que tem inclinações para a política e o velho Fidel já vê nele o seu sucessor. Reparem na ternura do velhote a olhar para o chavalo.


por Zecatelhado * 23:51


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FOGOS! Porquê tantos?


"...A comunicação social tem por hábito destacar um motivo de causa dos incêndios que acaba por não ser esse
Curiosamente a comunicação social quando faz referência aos fogos flo
restais e, fá-lo todos os dias já há alguns anos, invoca como uma das causas a existência de muito calor.
Curiosamente a maioria dos fogos que se têm registado este ano e que
têm consumido vastos hectares de floresta e mata, deflagram a altas horas da noite ou de madrugada ou seja exactamente na altura em que o calor já não se faz sentir.
Podemos concluir por isso que afinal não é o calor que deflagra os incêndios mas sim outras as causas que eles nunca referem."


Assim escreve no nosso querido Raúl no Congeminações, E BEM!
Ora, para dar ainda mais força à sua razão eu acrescento um exemplo flagrante que repito sempre que o assunto sai em conversa:
Porque será que um dos locais até há pouco tempo mais sujos e maltratados do país- estou a falar do Parque Florestal do Monsanto, lugar que conheço de olhinhos fechados pois nasci lá- não arde nunca?
Certamente não é por morar lá a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro ou o São Não Sei Quem, Padroeiro dos Bombeiros; A razão porque nunca acontecem incêndios no local prende-se com o seguinte:
1. - As madeiras das árvores do Parque não prestam para serem trabalhadas.
2. - No Parque não é permitida a Construção seja do que fôr.

Disse.


por Zecatelhado * 21:34


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Weblog Commenting and Trackback by HaloScan.com
Peço desculpas antecipadas a todos os companheiros, camaradas e amigos por ter sido forçado a apagar todos os comentários até aqui deixados por vocês, com tanto amor e carinho.
Ora acontece que, muitos se vinham queixando que não conseguiam comentar aqui no Limite, vai dai, o Zecatelhado decidiu de vez colocar um gestor de comentários HalosScan. Vamos lá a ver se isto agora funciona melhor.

Um abração do
Zecatelhado


por Zecatelhado * 19:22


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Previsivelmente estaremos todos envolvidos na Guerra de Bush contra o Terrorismo"–então, se assim é, adoptando os procedimentos militares, devemos-nos sempre questionar sobre as cinco 5 perguntas fulcrais antes de se iniciar qualquer acção: o Quê?, Porquê? (quem Lucra), contra Quem? Quando?, Onde?
Segundo um documentário transmitido pela insuspeita BBC inglesa, há informações bastante fiáveis de que existem vínculos entre a CIA e a pouco definida e nebulosa AlQaeda. Alguns não têm até dúvidas em afirmar que a “rede terrorista AlQaeda de Bin Laden” pura e simplesmente não existe.
Tais posições levam em conta a amálgama de interesses e promiscuidades existentes entre políticos como Aznar, Barroso Bush, Sheiks Árabes, Companhias Petrolíferas, Familia Bin Laden, Blair, FMI, Banco Mundial, Familias da Oligarquia Petrolifera, Militares, Complexo Industrial,etc... e poderiam ser questionadas à luz das informações limitadas de que se dispõe. As dúvida porém vão sendo menores à medida que o clima anti-capitalista cresce até já entre altas Individualidades como o próprio ex-Ministro da Defesa da Alemanha Andreas von Buelow que afirmou em entrevista ao jornalista Alex Jones, “que a CIA esteve implicada nos atentados do 11 de Setembro em New York”.
De facto, na sua “guerra contra o terrorismo” Bush e os seus acólitos, não conseguiram encontrar agentes da “alQaeda” na Europa. O único implicado até hoje nos atentados de 11/9, o árabe Munir El Motassadek, acabaria por ser ilibado pelo Tribunal de Hamburgo em 2002. Michael Scheuer, ex responsável pela unidade da CIA dedicada à Al Qaeda disse, em entrevista publicada pela Visão de 30 de junho/05, que a CIA deu ao governo americano aquando da ofensiva Iraquiana e se sabia que Bin Laden estava na zona fronteiriça com o Paquistão, entre 8 a 10 oportunidades para o capturar, mas os responsáveis governamentais Americanos decidiram sempre não actuar.Porquê???. Bin Laden é um pretexto para outros fins!,,,
As redes norte-americanas de desestabilização e de ingerência, apesar destas evidências, continuam contudo a desinformação, e ainda ontem por entre as lenga-lengas lamuriosas das televisões era possível ouvir que “há 7000 terroristas na Europa,,, que é muito fácil recrutar operacionais em Mesquitas (fica a pergunta: então se é fácil porque é que não os prendem?),,,o New York Times dizia que “a bomba poderia ter outro destino” (pois, se elas iam em meios de transportes seria óbvio,não?) e porque a opinião pública britânica se habituou à eficiência da sua Policia, esta prometeu resultados sobre os autores em não mais de 48 a 72 horas, mas,,,mais rápido do que qualquer policia cientifica,,, do que qualquer investigação de peritos em explosivos,,, mais rápido do que a velocidade do bom senso - o ministro Jack Straw lá afirmou: "os atentados têm a marca da Al-Qaeda"!!! (como em Madrid, para Aznar, tinham tido a marca da ETA). Como teria “adivinhado” Straw?
José Sócrates foi mais subtil: “Estaremos inteiramente à disposição dos nossos aliados, para os ajudar sempre e quando nos solicitarem”. A violência é irracional, é obscena, imoral e estúpida, e matar é injustificável, mas no entanto os discursos vazios acerca de “democracia”,”nações civilizadas”, “valores”, etc, cumprem a estratégia dos falcões cristãos-fascistas e dos sionistas loucos Norte-Americanos. Apela-se à “unidade incondicional em torno destes governantes” para que ninguém ache anormal ver partir mais Soldados para guerras que não deveriam ser nossas.
ps –Alem de tudo o mais, há aquí uma confusão semântica: Se os EUA e seus aliados matam crianças, masaacram mulheres, roubam petróleo, assassinam homens, mentem para justificar o injustificável, torturam prisioneiros... a isso se chama GUERRA...
Se as vítimas dessa mesma Guerra se defendem...a isso eles chamam TERRORISMO...


(In - http://www.xatoo.blogspot.com/)


por Zecatelhado * 16:33


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O "SISTEMA" III
A chamada "DEMOCRACIA SOCIAL" -ou- o maior embuste da história
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O falhanço rotundo do Movimento Socialista na Rússia - que não pretendo aqui aprofundar por se tratar de uma acção paralela ao tema principal em análise - fazia-se adivinhar. Ja era só uma questão de (quantos? ) "segundos". ELES, ao mesmo tempo que ajudavam a minar e a sabotar a causa, iam esperando pacientemente.
Enquanto "aquilo" se ia transformamdo num Estado déspota Social-Fascista, ELES intensificavam a desinformação conotando aquele estado de coisas com o Socialismo e o Comunismo, vendendo essa mentira de todo o tamanho ao mundo de forma tão ardilosa que, nos dias de hoje falar a alguém nessa ideologia é despertar imediatamente nas pessoas a rejeição pura e simples ( compreensível, tal a dose de veneno desinformativo que lhe foi ministrado.
Ganha esta batalha por ELES, uma outra não menos complicada se LHES deparava de seguida:
TINHA NASCIDO UM OUTRO SISTEMA PARALELO AO SEU, que embora com os dias contados, não podia ser tolerado.
Esta batalha teve resultados catastróficos para a humanidade que pagou por ela um preço muito alto: Os milhões de mortos em "confrontos indirectos" entre as partes em conflito naquilo a que se chamou "GUERRA FRIA".
Este confronto, no entanto, teve o condão de vir revolucionar o funcionamento do SISTEMA, principalmente na Europa Ocidental. Essa Europa onde ELES tinham sustentado inclusivé ( Grécia, Espanha, Portugal...) ditaduras bárbaras e atrozes tão más ou piores que a do inimigo que combatiam, num repentino golpe tático experimentou uma nova realidade: "Derrubou-se" esse tipo de regimes ( já só davam mau aspecto e entravavam essa tal nova tática ) e lançou-se a campanha mediática mais forte até então experimentada:
" O Mundo Livre", da Liberdade, do Pluralismo de opiniões e ideias e dos direitos do homem, virtudes do Ocidente Cristão e crente, deverá rejeitar e combater para sempre tudo o que "cheire" a ateísmo, desumanidade e sangue inocente, que é a marca da ideologia Marxista/Comunista!".
Com a queda do muro de Berlim e a desagregação total do "Império Soviético",( mais cedo que o previsível ) ELES venceram a 3ª Guerra Mundial sem dispararem um único tiro!.
A Europa que até há pouco tinha sustentado os coronéis gregos, os Francos e Salazares, ia viver mais um período de mentira descarada: O período da DEMOCRACIA SOCIAL. Como o SISTEMA "armou" a cena, o cenário, os actores e a peça, trataremos no próximo sábado.



( Cópia do texto publicado no "Editorial")


por Zecatelhado * 11:27


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[sexta-feira, julho 08, 2005]



A sério que a acho fantástica. Já a ouvi imensas vezes aos Vietnamitas, aos Palestinianos, aos Iraquianos, aos Jugoslavos...pois!


por Zecatelhado * 22:39


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[quinta-feira, julho 07, 2005]


Não vou estar a mencionar aqui o porquê das grandes migrações oriundas do interior pobre de Portugal para a Capital há cinquenta anos atrás. Existe bastante documentação ( na Net, p.e.) para um estudo mais aprofundado do fenómeno. Além disso, desviar-me-ia de certa forma do principal objectivo que me levou a debruçar sobre o tema:
«COMO ERAMOS DIFERENTES HÁ CINQUENTA ANOS ATRÁS»
Tenho que dizer-vos o seguinte: Nasci há precisamente meio século, numa zona de Lisboa onde viviam lado a lado famílias operárias pobres e muito pobres, com famílias da classe média à época, ou seja, trabalhadores bancários, empregados de escritório quadros médios de empresas, construtores civis, etc..
Eram dois bairros distintos: O Bairro da Liberdade, com habitações de tipo "abarracado" e barracas genuínas, feitas de madeira e lata, onde viviam as famílias mais pobres, e o Bairro da Serafina, onde morava a tal classe média. Nada havia a separar os dois bairros a não ser a distinção no pavimento das ruas e o traçado das mesmas. A Serafina pavimentada a alcatrão e com um desenho mais ou menos ordenado, e o Bairro da Liberdade com pavimentação de blocos de basalto negro, ou pura e simplesmente não pavimentadas, ou seja: de terra batida.
Como só existiam duas escolas primárias na zona, os miúdos misturavam-se e faziam grandes amizades, conhecendo uns e outros o modo de vida de ambos os lados.
Como convivi também de perto com estas duas realidades, penso poder ajudar a entender melhor a forma como se vivia então em Lisboa.

Parte I - A Higiene

O saneamento básico no Bairro da Serafina sempre existiu desde o nascimento deste. As casas, pequenas e médias vivendas propriedade da Câmara Municipal de Lisboa que as alugava à época à média de 500$00 mensais ( hoje 2,5 euros que era uma pequena fortuna na altura, basta lembrar que o salário semanal de um operário especializado era de aproximadamente 800$00: 4 euros), rés-do-chão com um pequeno quintal. Possuiam casa de banho, canalização para águas quentes e frias e banheira. As famílias tratavam da sua higiene com as condições que hoje disfrutamos, só que os hábitos eram ligeiramente diferentes e na altura não houvesse tanta quantidade e especificidade de produtos que hoje temos à disposição. Os sabonetes, por exemplo, eram caso raro e só alguns -poucos- usavam. Na altura, creio, as marcas que compunham o mercado português eram o "Feno de Portugal", o "Lux" e o "Rexina". O "sabão de seda" era o que a grande maioria da classe média usava. Quanto à rotina higiénica: Banho duas vezes por semana - geralmente ao Sábado ao fim da tarde e Quarta-Feira à noite. Diáriamente faziam a lavagem da cara, pés e partes íntimas. A higiene oral não era muito cuidada; lavavam-se os dentes só nos dias da banhoca!
Entres os pobres a "música" era outra. A rede de saneamento básico estava lá, mas a quase totalidade das "casas" não possuia casa de banho. Algumas, não todas, possuiam uma pia de despejos ( em pedra de granito) onde se despejavam as águas de todos os tipos de lavagens. Na ausência de casa de banho aconteciam duas realidades diferentes: Nas chamadas "Vilas" ou Páteos, existia uma espécie de compartimento colectivo, com uma sanita rasante a que hoje chamamos "sanita turca", onde as necessidades fisiológicas dos habitantes do Páteo ou Vila eram feitas. Nas casas individuais, as necessidades eram feitas num pote de barro com mais ou menos 50 cms de altura e que tinham uma tampa de cortiça muito justa. Todos os dias passava uma carroça da Câmara Municipal, puxada por um muar, que recolhia os dejectos. Imaginem o cheiro da carrocinha! Sentia-se a "quilómetros" de distância! Nós miúdos chamavamos-lhe inevitavelmente "A carroça da M....". Algumas pessoas ( mais os homens ), como o Bairro fica encostado ao Parque Florestal de Monsanto, iam fazer as necessidades "À Serra", como afirmavam.
O papel higiénico era um luxo só ao alcance das famílias com maiores posses, por isso considerado "um luxo". A "limpeza do rabinho" era feita com papel de jornal. Cortavam-se folhas de +- 25x25 cms e " espetavam-se" num arame ao lado da pia.
Diariamente lavava-se a cara com sabão branco e molhava-se o cabelo para a penteadela. Banho só ao Sábado ao fim da tarde após o regresso do trabalho. Como não havia casa de banho e banheira muito menos, o acto era feito da seguinte forma: Numa das divisões da casa ( geralmente a cozinha) colocava-se um alguidar de zinco, bastante grande e único para o efeito, que era meio-cheio com duas panelas de água quente. Depois, com o tal sabão branco, "tomavam banho" o pai, a mãe e os filhos, quase sempre por esta ordem, NA MESMA ÁGUA!
Para as pessoas pobres, lavar os dentes não estava muito nos seus hábitos. O dinheiro era pouco e esse "luxo" podia evitar-se. No entanto havia algumas (poucas) excepções que, tal como os da classe mais alta, faziam-no depois do banho.
Quem trabalhava nas fábricas e oficinas já tomavam o seu "duche" habitual.
Também existiam "balneários" públicos propriedade da Câmara Municipal, onde alguns recorriam para o seu banhito de Sábado ( ou neste caso de Domingo pela manhã ). Há 50 anos atrás custava um banho "dez tostões" (um escudo). Para que os mais novos tenham uma noção do preço, 5 cêntimos hoje equivaleriam a 100 "tostões", ou seja: pagariam dez banhos.
A rapaziada juntava-se geralmente em pequenos grupos, toalha, sabão e muda de roupa debaixo do braço e lá iam eles.
Haviam ainda dois "carvoeiros" no Bairro da Liberdade que "vendiam" banhos-duche. Estes eram mais caros 2 tostões que no balneário.
Para encerrar este capítulo não resisto a contar-vos uma das brincadeiras por nós, miúdos, nas tardes quentes de Verão: Íamos em bandos autênticos para um local do Parque de Monsanto chamado "Fonte dos Amores" e que ficava bem em frente ao Palácio do Marquês de Fronteira, na rampa de Monsanto. Ali corria uma nascente natural que deslizava rocha abaixo. Armados de sabãozinho, deliciavamo-nos com aquele banho selvagem seguido de secagem ao sol.

...Continua... Para a semana abordarei outro tema.

Um abração
Zecatelhado


por Zecatelhado * 20:56


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[quarta-feira, julho 06, 2005]


- Senhor D. Quixote; Marques Mendes afirma que a nova construção do aeoroporto da Ota, mania obssesiva de José Sócrates, vai ser mais um Elefante Branco!
- Sancho, não me digas que vão construir mais um bar de putas...


por Zecatelhado * 23:03


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[terça-feira, julho 05, 2005]



Lá Vem a Nau Catrineta
que tem muito que contar
com tricórnio de côr preta
D. José a comandar
D. Costa trata de ver
se corre tudo a preceito
D. Diogo vai escolher
os aliados de peito
D. Cunha juntou-se ao Pinho
dois em um, está bom de ver
p'ra contar o dinheirinho
que o baú vai receber
D. Luís limpa os canhões
D. Correia é enfermeiro
a Lurdinhas dá lições
a tudo que é marinheiro
D. Jaime é o despenseiro
D. Gago lê as estrelas
D Lino faz de pedreiro
D. Correia limpa as velas
D. Vieira é o tenente
mais querido da marinhagem
é ele que paga à gente
em cada mês de viagem
D. Pedro de pé à ré
transmite pr'à populaça
aquilo que D. José
ordena pois que se faça
D. Augusto é o papagaio
escolhido p'lo Capitão
D. Alberto é o lacaio
encarregue da prisão
A Dª Isabel de Lima
tem tarefa desgastante
escada abaixo, escada acima
que a cultura é importante
P'ra compôr o ramalhete
das flores do Capitão
só faltava o mandarete
quem é ele?...D. Lacão
É esta a tropa fandanga
que promete à Catrineta
que o discurso da tanga
já foi posto na gaveta
Com estes novos doutores
vai ser um sempre a aviar
ouvi agora senhores
uma história de pasmar


Fundeou a Catrineta
com a proa virada ao vento
o sol fizera careta
e o tempo estava cinzento
decera o escaler ao mar
por ordem de D. José
que acabara de ordenar
ao marujo ali ao pé:

"Quero dez homens valentes
robustos e musculados
pêlo irsuto, imponentes
e com sovacos suados
quero-os durões com ar sério
feios que nem peixe-espada
confio no teu critério
trá-los cá duma assentada

Sim senhor, meu capitão
é p'ra já se o ordenais
vou lá abaixo ao porão
buscar esses dez pardais
trago três da Curraleira
e três do Casal Ventoso
duas "pintas" da Musgueira
e um "Dealer" do Bem Formoso

Isso me parece bem
a escolha está aprovada
é a prata que convém
ter perto se houver cegada
com tropas desse calibre
p'ra me guardar os costados
quem se atreve? Deus os livre,
ficavam bem "aviados"!

Mas de de que está a falar
o nosso bom Capitão?
é que não estou a topar
a causa de tanta acção
Irá à tromba ao Alberto
que jura guerra a Pequim
e também, porque é lá perto
estendê-la até Bombaim?

Já parece o alemão
que a berrar proferia
o mal da sua nação
ter pé na Judiaria
depois foi a triste sina
a que o árabe sofreu
lixaram a Palestina
com o holocausto judeu

Esse marmelo é perigoso
é maluco quanto chega
é pior que D. Burroso
pondo toda a gente à pega
e a seguir passa à acção
e faz sem mais brincadeiras
um campo de concentração
no meio das bananeiras

Eh,eh,eh!... - riu a maralha
da tirada do parceiro-
essa ái "tá bem esgalhada"
camarada marinheiro
mas não vai ser pelos ditos
do homem das bananeiras
o Jardim bebe uns copitos
e a seguir só diz asneiras!

Já está tudo habituado
às pielas e ao discurso
e a ver o pobre coitado
a fazer figura de urso
ainda o veremos um dia
-aponta aí que não minto -
a ter uma apoplexia
à pala do vinho tinto

"Pois ficai vós a saber
que o que move D. José
é outra coisa a meu ver
ó pessoal da ralé..."
" Então tu que és sabichão
e tens pinta de vivaço
conta lá qual a razão
de tamanho estardalhaço!"

"...Ouve lá cabeça dura:
sabes porque é o sarilho?
é por causa da abertura
da campanha do Carrilho!
Os media que são uns cães
desafinaram a palheta
da Bábá de Guimarães
e a coisa ficou preta

O Carrilho que é betolas
mas lixado p'rá chapada
queria-se ir aos mariolas
e ia havendo estalada
por isso o Capitão
que é um amigo bem fixe
vai usar a dissuasão
antes que alguém se lixe

Mete os gorilas a jeito
junto à malta dos jornais
e é remédio com efeito
p'ra'mansar os animais
que vão pensar muito bem
fala ou cala: eis a escolha
se piarem sabem bem
quanto pesa cada solha

"Ih,ih,ih!...- voltou a turba
a rir rolando no chão-
...ó meu, vai dar uma curva
que grande imaginação!
Estou mesmo a ver a parada
alguém chamando p'la moça
e a levar uma arrochada
daquelas que fazem mossa!

Tenham calma, tá'mansar
ouçamos o Capitão
que tem estado a escutar
toda esta discussão
com um ar tão divertido
ouvindo este chavascal
que parece ter saído
a porta da Kapital

D. José, nosso senhor
e querido Capitão
dizei-nos lá por favor
a verdadeira razão
porque se faz armar
com aquelas dez pilecas
e em terra desembarcar
qual Cortês entre Aztecas

Sois uma súcia de cuscos
um bando de arruaceiros
uns maltosos, uns patuscos
grunhos que nem carroceiros
seria eu lá capaz
de ir às fuças ao Jardim
eu bater naquele rapaz?
ele é que batia em mim!

E malhar nos jornalistas?
era só o que faltava
e depois as entrevistas
a quem é que eu as dava?
punham o loby em acção
votavam-me ao esquecimento
adeus próxima eleição
e good bye ó S. Bento!

Sou parolo, sou parvinho?
Eu sou muito inteligente
conheço o modo certinho
de lidar com essa gente
mas voltemos lá ao mote
que vos deixou curiosos
porque me meto no bote
com estes dez mafiosos?

Ora muito simplesmente
o não perceber porquê
acabou tão de repente
o blogue "O Barnabé"
O Daniel não diz nada
os outros não me dão pistas
se se resolve à estalada
aqui estão os meus artistas


Autor: Zecatelhado - in: wwwlimite.blogspot.com - Blogue: LIMITE


por Zecatelhado * 19:15


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[segunda-feira, julho 04, 2005]


- Porque estás com essa cara, meu bom Sancho?
- Ai meu amo e Senhor D. Quixote, estou a sofrer um ataque de raiva impotente contra a vilania que por aí se vai praticando!
- Também eu, por isso aqui estou eu!...
- Repare o Senhor meu amo que acabo de ler num jornalito português o seguinte: "...os vencimentos, pensões e direitos do Governador, Vice-Governadores e Administradores do Banco de Portugal, totalizam um custo anual de 1.532 milhões de euros. Ainda por cima montam-se em carros de luxo de alta cilindrada que adquirem a juros reduzidos".
Ora, se o cabecilha vem dizer ao país que os mais pobres têm que apertar ainda mais o cinto, e que nem sequer vão ter direito a uma esmola chamada ajuste salarial que lhe permita comprar um miserável pão com manteiga e um café antes das oito horas de trabalho, e depois os que aguentam estas coisas vêm a saber deste fartar vilanagem...
Bom, dá-me vontade de lhes ir aos fagotes a esses vilões com "mutchas ganas"...!
- A seguir, Sancho a seguir juro que te ajudo, depois de libertar a minha bela Dulcineia daqueles gigantes lá ao fundo; Sabes bem que eu sou um cavaleiro das nobres causas, e essa é nobre. Morte aos Vilões!!!!
- Morte!!!


por Zecatelhado * 21:49


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... de visitar ESTE BLOG. Vão ver que não se arrependem e passam a ser "clientes certos". É por isto que vale a pena a blogosfera... não só, mas também.


por Zecatelhado * 17:59


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[domingo, julho 03, 2005]


De quando em vez faço umas visitinhas ao Canal Memória da R.T.P.. Se vocês também por lá passam, devem já ter reparado no António Barreto a apelar aos tele-espectadores para que enviem documentação ( fotográfica e escrita ) para a produção de um novo programa que pretende ir para o ar brevemente e que se irá chamar: COMO ERAMOS NÓS HÁ CINQUENTA ANOS.
Confesso que acho a ideia muito boa (tenho é dúvidas como depois vão tratar o assunto). Efectivamente, como diz o senhor Barreto, ERAMOS TÃO DIFERENTES!
Pela parte que me toca, quero colaborar, e para isso passarei a escrever aqui no LIMITE algumas memórias ( pôrra! estou a ficar cota que até chateia ) da minha infância e juventude.
Vai-me dar prazer fazer uns "flashbacks" e recordar como era a vida há meio século atrás. Considero-me até um previligiado, já que vivi e convivi com distintas "classes" sociais durante essa mesma infância e juventude, conhecendo muito de perto a realidade da forma como viviam.
A nossa rapaziada mais jovem, aposto, não faz ideia nenhuma de como eram esses tempos, por diversos motivos entre os quais a "vergonha" de muitos dos pais em recordar, porque hoje, ser-se assumidamente pobre , é coisa para se esconder, já que a sociedade se tornou uma sociedade em que as aparências contam mais que a realidade, ou seja: Da pobreza material passou-se à pobreza de espírito, o que eu penso ser muito mais grave... mas adiante...
Vamos lá então, senhor Zecatelhado, ao trabalhinho.


por Zecatelhado * 17:58


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...( Génesis 1:26...E Deus prosseguiu dizendo: "Façamos" o homem à nossa imagem, segundo a nossa semelhança...
... ( Génesis 1:27... E Deus passou a criar o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou, macho e fêmea...

Assim começa praticamente o primeiro dos livros que compõem A Bíblia, mais concretamente, Génesis, o Livro da Criação.
Mas o que é que deu na cabeça deste tipo para vir para aqui agora falar de religião?- perguntarão vocês- Pois bem, para trazer à baila um tema que discuto muitas vezes com muita gente: Mas afinal "A VIDA", tal como a conhecemos, é um produto da Criação ou, como outros defendem, surgiu pelo acaso de um encontro de muitos factores?
Que é um tema pertinente e "dá pano para mangas" numa discusão, lá isso...
Os que crêm na Criação, argumentam que o acaso de se juntarem os factores básicos para o princípio da vida é de 1 para 1.000 ( elevado a 14 ), um número de compreensão inatingível.
Os que crêm no surgimento da vida por acaso, começam pura e simplesmente por colocar logo de parte a existência de Deus e, a propósito de Génesis, definir o mesmo como uma história muito engraçada`a época em que foi escrita.
O engraçado disto tudo é que, é no Ocidente Cristão e principalmente Católico, que a descrença no Livro da Criação é mais acentuada, principalmente depois de Charles Darwin ter ido acampar por uns tempos às Galápagos e trazer aos homens uma nova teoria no que à origem da vida e das espécies concerne.
Acho piada a muitos "crentes", que vão à missinha da ordem e tudo aos Domingos e festas de guarda, defenderem depois as teorias do senhor Charles com unhas e dentes.
No caso da Comunicação Social então é um espanto! Depois das cerimónias de Fátima ou da transmissão da Missa Domical, os canais do Estado ( para não falar nos outros) passam vezes sem conta documentários sobre as origens Darwinistas da vida, que me fazem rir à vara larga.
Que têm vocês a dizer sobre o tema?


por Zecatelhado * 01:51


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[sábado, julho 02, 2005]


Isaltino «estranha coincidência» de ser arguido. ( in T.S.F. )


Valentim acusa Marques Mendes de ser «um bocadinho ditador» ( in T.S.F. )


- Não pense que é "coincidência", senhor Exaltado de Morais...
- Qual ditador, senhor Valentão? Olha quem fala! Está a ver-se ao espelho, é?

Então mas já chegámos a Marte? Pensam que o "SISTEMA" "Partidocratico" ia permitir uma coisa dessas? Se ELES não tiverem a certeza que vos derrotam nas urnas, serão condenados no SEU Tribunal Fantoche e ponto final.


por Zecatelhado * 19:38


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O "SISTEMA" II
A chamada "DEMOCRACIA SOCIAL" -ou- o maior embuste da história
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Ao longo dos tempos, ELES têm experimentado diversos rostos para o mesmo corpo.
ELES são OS SENHORES DO PODER.

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Desde que existe história, o poder de decidir qual o destino dos homens tem sido previlégio de uma minoria perfeitamente identificada, que tem sabido controlar e manipular as coisas de forma subtil e aparentemente discreta.
Ergueram-se impérios que prosperam e definharam até à queda subsequente. Outros de seguida se ergueram, no ciclo contínuo da espiral da história, que tiveram o mesmo apogeu, declínio e queda dos anteriores. No entanto, ELES nunca perderam o controlo efectivo das coisas, bem pelo contrário, quando o rumo dos acontecimentos entrava em colapso com o fim à vista, eram ELES que davam o "empurrão final" no império que os servira, ao mesmo tempo que lançavam o próximo já previamente "trabalhado" e no qual colocavam um novo rosto.
Os primórdios do século XX, foram palco de experiências várias por parte DELES. A ansiedade dos povos na luta pela sua emancipação, a passo com a grande revolução industrial, colocou-OS perante o maior desafio à subtileza dos seus métodos.
A eclosão da revolução de cariz socialista na Rússia do Czar, onde as classes dominadas dominadas desde sempre ousaram "em xeque" pela primeira vez tudo o que até aí tinham sido as bases principais de assento do "sistema", fez despertar NELES o sinal de alarme. Era necessário agir sem demora, sabotar e desacreditar o movimento que ameaçava estender-se mundo fora.
E assim foi. Como veremos, e dissemos no princípio deste artigo, ELES engendraram o maior embuste que a história humana jamais viu até aos dias que correm. E serviram o engodo às massas; Irresistível; E que engodo!

A "VELHA ESTRUTURA"
Como tinham ELES até então mantido sob o seu controlo o rumo das coisas? Com uma estrutura simples, onde os componentes da mesma estavam perfeitamente bem identificados,


ELES
|
|
----»Poder Económico
|----------- Poder Religioso / Poder Judicial
|
Poder Político
|
|
Exércitos e Polícias
|
|
Rebanho Ordeiro





mas agora a "música" era outra. O "Rebanho Ordeiro" tivera a ousadia de exigir pela primeira vez - e de forma violenta!- o controlo efectivo dos seus destinos. Havia derrubado a estrutura de poder DELES, havia-se organizado à volta do seu partido e instituído essa coisa tenebrosa chamada "Ditadura do Proletariado". Ousara ainda expressar no seu manifesto:

- JAMAIS UM HOMEM SERÁ EXPLORADO POR OUTRO HOMEM

- CRIAREMOS RIQUEZA, PARA QUE SEJA JUSTAMENTE DISTRIBUÍDA POR TODOS AQUELES QUE A PRODUZIRAM

- NUNCA JAMAIS O QUE PRODUZ VOLTARÁ A SER O QUE MAIS SOFRE, AO PASSO QUE O QUE NADA CRIA E EXPLORA O CORAÇÃO PRODUTOR, VIVE - QUAL PARASITA - SUGANDO O SANGUE E O TUTANO ÀQUELE QUE EXPLORA E OPRIME

- QUE A VOZ DO POVO TRABALHADOR SE FAÇA OUVIR EM TODA A TERRA, E A REVOLUÇÃO ULTRAPASSE FRONTEIRA APÓS FRONTEIRA NUM COLOSSAL ABRAÇO UNIVERSAL EM TORNO DO NOSSO GRITO REVOLUCIONÁRIO: PROLETÁRIOS DE TODOS OS PAÍSES, UNI-VOS!

E viram ELES, aterrados, que estes homens tomavam nas suas mãos o controlo completo de todos os meios geradores de riqueza, organizando comités de orientação nas fábricas, oficinas e campos.
Abanaram os alicerces das SUAS construções, e viram quão perigoso o rumo das coisas estava a tomar. Era preciso agir, JÁ! E agiram.

... continua

- No próximo sábado, veremos como ELES prepararam a "minagem do campo" por onde pretendia avançar a Revolução Socialista de Outubro, para o qual se serviram do truque mais antigo que há memória:
"Uma mentira repetida mil vezes, acaba por ser tomada como a verdade suprema"

Um abração do
Zecatelhado

( Cópia do texto publicado no
"Editorial"


por Zecatelhado * 03:14


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